Brasília: História e Lendas Urbanas

Por Gil DePaula

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Lendas urbanas podem ser consideradas pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista, amplamente divulgadas de forma oral ou pela imprensa e que constituem um folclore moderno.

Como não poderia deixar de ser, da criação de Brasília se tem conhecimento de várias histórias divulgadas oralmente ou pela imprensa. Uma das mais intrigantes refere-se a um conflito que teria ocorrido no acampamento de obras da construtora Pacheco Fernandes, no dia 08 de fevereiro de 1959, entre policiais e os trabalhadores. Segundo relatos, o número de mortos chegaria a cem.

O conflito teria se iniciado pela revolta dos operários que se indignaram quanto ao tratamento que recebiam. Reclamavam da comida ruim, das condições de execução e da pressão para que o trabalho não se interrompesse, para que os prazos de conclusão não fossem descumpridos.

Refeitórios

Brasília seria inaugurada em 14 meses, mas, sendo véspera de carnaval, os candangos esperavam com ansiedade o salário da semana e a folga para se divertirem nas cidades vizinhas. Entretanto, os salários não foram pagos, a água do acampamento foi cortada, e, imundos, os trabalhadores não tiveram como sair para se divertir, o que foi interpretado como uma estratégia para mantê-los trabalhando nas obras.

O motim foi iniciado por dois homens que, ao receberem as marmitas em péssimas condições de higiene, as jogaram ao chão, quebraram mesas e intimidaram os funcionários da cozinha. Os três guardas responsáveis pela segurança, ao darem ordem de prisão, foram acuados por dezenas de trabalhadores. Como consequência, o Departamento de Segurança Pública foi informado, e sessenta policiais armados de revólveres e pequenas metralhadoras chegaram ao local atirando. Muitos fugiram e dezenas teriam sido atingidos pelos disparos.

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Os policiais que pertenciam à chamada Guarda Especial de Brasília (GEB) eram bastante truculentos e claramente despreparados para exercer a função policial, já que o principal critério para recrutamento era que o indivíduo fosse alto e forte.

Alguns negaram o massacre, alegando que teria sido boatos plantados por um jornal de oposição de Belo Horizonte: O Binômio. Porém, uma semana depois, oitenta malas foram encontradas abandonadas e, segundo alguns trabalhadores, pertenceriam aos operários mortos.

Outra história, que circulou em Brasília (esta claramente uma lenda), já nos anos 70, era a de uma loira que entrava nos táxis e depois sumia deixando os motoristas assustados.

Se totalmente verdadeira ou não, a história da Pacheco Fernandes deveria ser melhor investigada, e detalhada nas obras que falam de Brasília, pois ela é parte da história dos candangos que derramaram suor, lágrimas e também sangue por essa cidade.

 

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