Ensaio Sobre a Alienação

Por Gil DePaula

De forma genérica, podemos definir a alienação, como a incapacidade do indivíduo de pensar por si mesmo, fugindo das armadilhas que lhe foram impostas, e que o colocam em uma caixa, de onde não consegue sair e enxergar as diversas variáveis externas e complementares, que o levaria a evolução do seu pensamento, fazendo-o, enxergar o mundo, sobre outro prisma, pois aquilo que lhe foi pré-estabelecido, sobre quaisquer assuntos, sejam: políticos, religiosos, relacionamentos, finanças, saúde, etc., tornam-se, para ele, uma verdade incontestável, até que seus olhos se abram.

A escola, que poderia ser o berço do pensamento independente e progressivo, infelizmente, não ensina às crianças, a desenvolver e usar as suas próprias mentes, mas sim a adotar e usar os pensamentos de outros, destruindo a capacidade de pensamento criativo e independente. Excetuam-se, alguns casos raros, em que crianças, contando com a sua força de vontade, ou com a ajuda de algum pai ou professor mais consciencioso, conseguem desenvolver e manter o seu próprio modo de pensar, pois todo o sistema de ensino é administrado de forma a – estrategicamente – ensinar às crianças quase tudo, exceto como usarem as suas mentes e pensarem de forma independente.

Geralmente, a alienação se intensifica na juventude com a cooperação de pais, professores, instrutores e líderes religiosos, que por conveniência, conscientemente ou não, lhes impõe seus pensamentos de ideias não comprovadas, afetando as mentes desses jovens, lhes trazendo o medo. A religião é um dos principais artífices dessa ação (quem um dia não teve medo do inferno?).

As crianças crescem, mas carregam a dificuldade de pensar por si mesmas. Uma vez capturada a mente de uma criança através do medo, está enfraquecida a habilidade dessa criança de pensar racionalmente e de pensar por si mesma. Essa fraqueza ela carregará durante toda a sua vida, a alienando profissionalmente, politicamente, em seu casamento e demais relacionamentos.

A Alienação Brasileira

A Alienação Brasileira

A alienação da grande maioria dos brasileiros é marcante e preocupante. Por quê? Por sermos um povo que, mesmo nas desgraças, privilegia, festeja e coloca em primeiro lugar, homens correndo atrás de uma bola de futebol, ganhando milhões, enquanto ele mesmo, muitas vezes, está à mingua. Que baba, em frente a uma tela de TV, assistindo às cenas pesadas e inconvenientes de novelas, idolatrando os seus atores. Que acorda às 4h da manhã, para assistir a um simples treino de Fórmula Um, no intuito de ver quem chega em primeiro lugar, quando, muitas vezes, ele é o último em vários segmentos da vida. Que estagniza toda sua vida, para curtir uma copa do mundo e/ou carnaval.

Preocupante, também, são os heróis que criamos. “Heróis” que nada fazem pelo próximo, que nada produzem, que a ninguém socorreram ou salvaram. “Heróis de papel”, que desfilam em passarelas, Heróis de “Shows da Realidade” (??), heróis de campos de futebol ou de novelas. Heróis, que apenas e somente, comprovam a alienação de todo um país.

A alienação política é uma das mais perniciosas, pois é a responsável por todo um sistema de governo corrompido e de privilégios para poucos. O alienado político, é incapaz de enxergar (ou se faz de cego), toda a bandalheira que os políticos que defendem cometeram. Na realidade, a alienação dessa turma é de tal monta, que as provas mais concretas das falcatruas, esfregadas em suas faces, não os fazem corar, e ainda desculpam e defendem os cafajestes.

Como Superar a Alienação

Como Superar a Alienação


O pensamento disciplinado e organizado com foco na forma de pensar construtiva, deixando de lado o medo, o desencorajamento, o desespero e a destruição, definindo propósitos de fé, coragem, esperança, e a força de vontade para deixar para trás conceito antigos e arraigados, dominantes em cada um, é o princípio básico para superar a alienação.

“Pensa! O pensamento tem poder. Mas não adianta só pensar. Você também tem que dizer! Diz! Porque as palavras têm poder. Mas não adianta só dizer. Você também tem que fazer! Faz!”.

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