“Vidas Negras Importam”

Por Gil DePaula

Há não muitos anos, era praticamente impensável que protestos contra o racismo, assumissem as proporções, que as atuais manifestações assumiram depois da morte de George Floyd, um homem negro, assassinado por um policial branco de Minneapolis – Estados Unidos.

Gravada em vídeo por uma testemunha, a imagem do policial com o joelho sobre o pescoço de George Floyd, que, deitado na rua e imobilizado, sussurrava “não consigo respirar”, foi o gatilho da onda de indignação que tomou conta do país, tornando-se o catalisador, que levou as pessoas às ruas. Vale lembrar, que essa morte não foi um caso isolado, e que as comunidades negras estão submetidas a uma constante e excessiva vigilância por parte da polícia.

Os negros americanos vivem com medo, por se sentirem vulneráveis perante aqueles que deveriam protegê-los. É comum encontrar queixas de cidadão negros americanos nas redes sociais dizendo sentir que são detidos pela polícia pelo simples fato de serem negros.

E dados indicam que isso não é apenas uma percepção. A polícia americana mata uma pessoa negra a cada 40 horas.

Racismo Estrutural

Racismo Estrutural

Igualmente o que ocorre no Brasil, os excessos policiais não são a única faceta do racismo nos Estados Unidos, nem o único motivo para os protestos, pois a desigualdade afeta profundamente a vida das pessoas negras, aqui e lá, e ela está na origem de várias disparidades significativas, de índices de mortalidade materna a diferenças na renda e na riqueza que é passada de uma geração à outra, com os negros possuindo renda e escolaridade menores que os brancos, sendo maioria na população carcerária.

Características do Racismo Brasileiro e Americano

Características do Racismo Brasileiro e Americano

Na terça-feira à noite, assisti ao repórter Guga Chacra da Globo News, que possui todas as características de uma pessoa considerada branca no Brasil, dizer que nos Estados Unidos ele não é considerado branco, e que, inclusive, sofre alguns tipos de discriminação, notadamente por ser latino. Isto, nos faz pensar, a falta de percepção que muitos brasileiros têm sobre si próprio ao discriminar esse ou aquele, pela cor da pele.

Diferentemente dos Estados Unidos onde o racismo é explicito, no Brasil ele é sutil. A brutalidade e a crueza do racismo norte-americano provaram ser sua maior fraqueza. Ao inverso, a flexibilidade e a sutileza do racismo brasileiro provaram ser a sua maior força. A indignação moral contra a desigualdade racial é muito mais difícil de ser gerada em um país onde a discriminação assenta-se sobre formas silenciosas e, às vezes, inconsistentes, tornando difícil identificá-la e transformá-la em ação política. Impede ainda mais a criação de um sentido de indignação contra o racismo a triste necessidade de combater toda uma série de injustiças que caracterizam a sociedade brasileira.

Protestos Pelo Mundo

Protestos Pelo Mundo

Em várias cidades de diversos países, multidões foram às ruas para protestar contra o racismo, compostas por pessoas dos mais diversos matizes, o quê, por si só, demonstra que a humanidade está evoluindo no sentido de deixar esse câncer das relações humanas para trás.

Há esperança que no futuro, os negros não sejam ou se sintam sufocados, por um joelho ou atitudes indignas de quem quer que seja, afinal, as vidas negras importam.

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