Brasilia e Cidadania

Artigo publicado em fevereiro de 2011

O conceito de cidadania remonta à velha Grécia, sendo usado para designar os direitos do cidadão, ou seja, o individuo como Célula Mater da sociedade participando ativamente do seu processo de construção e das decisões politicas.

Ao se desenvolver a história, o conceito de cidadania foi ampliado, passando a englobar o conjunto de valores sociais que determinam os deveres e direitos do cidadão, que é aquele que exerce a cidadania, quando possui a consciência desses valores, e participa ativamente das questões da sociedade. Todos têm direitos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade, em resumo; direitos civis, políticos e sociais. Mas a contrapartida são os deveres, as obrigações que o cidadão cônscio cumpre responsavelmente, enquanto parte integrante de um complexo organismo que é a coletividade (o estado, a nação), e que para funcionar eficientemente necessita da contribuição de todos.Entre os anos 1995 e 1999, o Distrito Federal teve como governador o pernambucano Cristovam Buarque, que entre outras coisas, implementou o projeto bolsa-escola e a campanha Paz no Trânsito, que transformou Brasília na capital do respeito ao pedestre. A partir de então, os motoristas e pedestres brasilienses tiveram a oportunidade de exercer sua cidadania: O pedestre com um simples gesto de mão, ao largo de uma faixa pintada no chão, sinalizando aos motoristas, solicitando que lhe deem passagem, exercendo o seu direito de ir e vir em segurança. O motorista atendendo ao sinal de quem está de pé, parando seu veículo e exercendo sua obrigação.Pena que até hoje, alguns motoristas por descuido ou pela falta de educação, ignoram as pessoas que querem atravessar a rua, muitas vezes acelerando e colocando a vida do pedestre em risco. Segundo dados do DETRAN, em 2009, doze pessoas morreram sobre as faixas (o maior número desde 1997). As estatísticas ainda nos trazem, que de janeiro a outubro de 2010, 364 faleceram em acidentes nas ruas da capital e, dessas, 124 foram atropeladas, sendo que agosto de 2010 foi o mês mais violento dos últimos seis anos, com 53 acidentes fatais e 55 mortes no trânsito.Motoristas, uns bêbados e outros em alta velocidade são constantemente flagrados, e não tem punição suficiente para reprimi-los. Esses indivíduos, inconscientes do papel que devem exercer como cidadãos “não têm” classe social, idade e sexo. Fazem todos parte de uma família: a dos analfabetos dos valores que norteiam a cidadania.Temos a esperança que o novo governador, que inclusive foi apoiado por Cristovam Buarque, exerça a sua cota de cidadania e maciçamente divulgue uma campanha de respeito no trânsito, para quem sabe, enfim, os inconscientes sejam despertados em plenitude para o exercício da cidadania.

Gil DePaula

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