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Crônica Para Um Túnel do Tempo

Por Gil DePaula

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Em 1960, aos dois anos de idade, eu e minha família, oriundos de Aracaju, no Sergipe, viemos morar na cidade-satélite de Taguatinga no Distrito Federal, idealizada para ser um local que abrigaria grande parte dos trabalhadores da construção civil, que se aventuraram na missão de construir a nova capital do Brasil, idealizada por Juscelino Kubitschek.

O lote que coube a minha família estava situado na QNE 11, da referida cidade. Com o passar do tempo, me dei conta da diversidade de pessoas que aquela rua – nomeada por letras e números – abrigava.

Famílias de várias cidades do nordeste, do sul, do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas Gerais, e até estrangeiros (havia um japonês e um italiano), estavam ali com objetivos bem delineados: trabalhar, criar, educar seus filhos, enfim, trazerem para suas vidas algum progresso e sobreviverem dignamente.

Nessa rua de Taguatinga morei até completar quinze anos vividos e nossa família mudar-se para outra cidade-satélite; o Guará. Ao longo dos anos em que residi na QNE 11 convivi com vários garotos oriundos dessas famílias de desbravadores. Alguns, tais qual o Toni Romanini, não me lembro quando os conheci, pois éramos muito jovens. Outros, curiosamente, Como o Zé e o Humberto (irmãos), recordo-me até do dia em que família deles chegou de mudança em 1964, provavelmente, pelo inusitado da hora, que adentrava à noite, em um lote de frente ao meu.

No caminhar das décadas de 60 e 70, novas famílias chegaram trazendo novas amizades, e outras partiram levando as antigas. Porém, sempre tiveram em comum os momentos mágicos em que convivemos regados às brincadeiras de rua, tais quais: futebol, pega-pega, queimada, piques, bete, bolinhas de gude, salve latinha, finca e leitura de gibis, etc.

O tempo, como não pode deixar de ser, passou. Meu contato com eles foi perdido, todavia, esporadicamente, me encontrava com o Toni (o filho do italiano). Com o advento das redes sociais, começamos a conversar sobre a possibilidade de reunirmos a turma. Conversa vai, conversa vem, criamos um grupo no zap que, como não poderia deixar de ser, foi batizado de o Túnel do Tempo (referência a uma séria antiga de TV, que todos nós apreciávamos).

Esse encontro virtual foi se delineando em um encontro pessoal, que acabou por se concretizar nesse sábado passado (18/12). Do grupo do zap, conseguimos reunir em uma confraternização regada a churrasco, os amigos que citarei os nomes, para uma justa homenagem (diga-se de passagem todos sessentões ou beirando a isso… risos): Zininho, Toni, Luigi, Ageu, José Jorge, Humberto, Moisés, Lucas e eu). Outros cinco, do grupo virtual, apesar de convidados, não compareceram, provavelmente, por motivos pessoais.

Mas, o mais importante dessa reunião, foi ver a alegria e a satisfação estampada na face de todos, que transformou esse momento em um fato inesquecível. As boas lembranças foram expostas por cada um de nós, em conversas que rolaram soltas. A música se fez presente no violão e na voz do amigo Zininho, bem como nas vozes do Toni e do Humberto, em canções sensacionais e saudosas. Fotos e vídeos foram tirados e gravados. Por fim; graças a todos os que compareceram, alguns com familiares, o dia foi, retumbantemente, glorioso.

E disso tudo tiramos uma lição: As verdadeiras amizades transcendem o tempo, pois continuam, sempre, a morar num lugar especial, chamado CORAÇÃO!

 

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