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A Arte de Luto: Morre Jô Soares

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Morreu às 2h20 desta sexta-feira (05/08/2022), aos 84 anos, o apresentador, ator, humorista, escritor e diretor Jô Soares. Segundo nota do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, o artista estava internado desde 28 julho.

Jô Soares foi internado para tratar uma pneumonia. A ex-mulher dele, Flavia Pedras Soares, foi a primeira a publicar nas redes sociais sobre a morte dele: “Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados. O funeral será apenas para família e amigos próximos.

José Eugênio Soares nasceu em 1º de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, se mudou com a família para a Europa, onde cogitou seguir carreira como diplomata. Mas se interessou pelas Artes Cênicas na Suíça e voltou ao Brasil para se tornar artista.

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Começou a carreira nos anos 1950, no filme Rei do Movimento (1954), e se destacou no longa O Homem de Sputnik (1959), de Carlos Manga. Estreou na TV em 1958, no programa Noite de Gala, da TV Rio. Escreveu para o TV Mistério, da mesma emissora. Em seguida, colaborou como redator para humorísticos da TV Continental.

Na TV Tupi, fez participações no Grande Teatro Tupi. “Eu consegui trabalhar ao mesmo tempo nas três emissoras que existiam no Rio”, declarou ele em depoimento ao site Memória Globo.

Em 1960, foi trabalhar na Record, onde atuou e escreveu para programas como A Família Trapo (1966-1971) e Jô Show.

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O grande destaque foi em A Família Trapo, em que escrevia o roteiro com Carlos Alberto de Nóbrega. Na atração, Jô interpretou o mordomo Gordon. Ele considerava a atração como “a primeira sitcom que se fez” e “o primeiro grande sucesso nacional da TV”.

Em 1970, estreou na Globo com Faça Amor, Não Faça a Guerra, ao lado de Renato Corte Real –ambos eram roteiristas e protagonistas de esquetes de humor. Também teve êxito como ator e redator de Planeta dos Homens (1976-1982) e criou seu próprio programa humorístico, Viva o Gordo (1981-1987).

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Na atração, Jô criou personagens que ficaram eternizados na cultura popular brasileira, como Reizinho (monarca de um reino que satirizava o Brasil daquela época), Capitão Gay (um super-herói homossexual, muito estereotipado) e Zé da Galera (que tinha o bordão ‘bota ponta, Telê!’).

Em 1987, Jô Soares foi para o SBT para estrear seu próprio programa de entrevistas, Jô Soares Onze e Meia. A atração foi ao ar entre 1988 e 1989, com mais de seis mil entrevistas com personalidades brasileiras e internacionais.

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Em 2000, Jô voltou à Globo, dessa vez também como entrevistador, no Programa do Jô. “Não foi por uma questão salarial, porque a contraproposta do SBT era muito alta. Voltei pela possibilidade de fazer mais entrevistas internacionais, pelas facilidades de gravação, pelo apoio do jornalismo”, explicou.

A atração fez grande sucesso com entrevistas com famosos e anônimos e alçou Jô Soares ao posto de principal apresentador de talk show do país. O Programa do Jô foi encerrado em 2016, por decisão do próprio apresentador. Em 28 anos de talk shows, ele fez 14.138 entrevistas.

Escritor e Diretor

Escritor e Diretor

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Além da TV, Jô Soares se destacou também no teatro, na imprensa e na literatura. Escreveu crônicas e artigos para os jornais O Globo, Folha de S.Paulo, e para as revistas Manchete e Veja.

Publicou uma coletânea de crônicas e quatro romances, entre eles O Xangô de Baker Street (1995), que esteve na lista de mais vendidos e foi adaptado para o cinema. No teatro, se destacou em seus monólogos, como Viva o Gordo e abaixo o regime! (1978) e Na mira do gordo (2007).

Como diretor, comandou os espetáculos Soraia, Posto 2 (1960), Os Sete gatinhos (1961), Romeu e Julieta (1969), Frankenstein (2002) e Ricardo III (2006). No cinema, atuou em mais de vinte filmes.

Em 2012, em entrevista ao Fantástico, Jô Soares falou sobre morte. “O medo da morte é um sentimento inútil: você vai morrer mesmo, não adianta ficar com medo. Eu tenho medo de não ser produtivo. Citando meu amigo Chico. Anysio (1931-2012), perguntaram para ele: ‘Você tem medo de morrer?’. Ele falou: ‘Não. Eu tenho pena’. Impecável”.

Biografia

Biografia

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Foi o único filho do empresário paraibano Orlando Heitor Soares e da dona de casa Mercedes Pereira Leal. Pelo lado materno, foi bisneto do conselheiro Filipe José Pereira Leal, diplomata e político que, no Brasil Imperial, foi governador do Estado do Espírito Santo. Por parte de seu pai, foi sobrinho-bisneto de Francisco Camilo de Holanda, ex-governador da Paraíba.

Jô queria ser diplomata quando criança. Estudou no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, no Colégio São José de Petrópolis, e em Lausana, na Suíça, no Lycée Jaccard, com este objetivo. Porém, percebeu que o senso de humor apurado e a criatividade inata apontavam para outra direção.

Vida Pessoal

Vida Pessoal

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Entre 1959 e 1979, Jô Soares foi casado com a atriz Therezinha Millet Austregésilo, com quem teve um filho, Rafael Soares (1964–2014), que era autista. Entre 1980 a 1983, foi casado com atriz Sílvia Bandeira, doze anos mais nova.

Em 1984 começou a namorar a atriz Claudia Raia, romance que durou dois anos. Já namorou a atriz Mika Lins e em 1987, casou-se com a designer gráfica Flávia Junqueira Pedras, de quem se separou em 1998.

O apresentador admitiu sofrer de TOC. Em sua casa, os quadros precisam estar tombados levemente para a direita.

Jô foi sobrinho de Togo Renan Soares, conhecido como “Kanela”, ex-treinador da seleção brasileira de basquetebol.

No dia 1 de outubro de 2012, levou ao ar um programa especial que reprisou uma entrevista com Lolita Rodrigues e Nair Bello em homenagem à apresentadora Hebe Camargo, com quem declarou ter vivido intensas alegrias.

O apresentador falava, com diferentes níveis de fluência, cinco idiomas: português, inglês, francês, italiano e espanhol, além de ter bons conhecimentos de alemão.

Traduziu um álbum de histórias em quadrinhos de Barbarella, criação do francês Jean-Claude Forest.

Jô Soares era católico, sendo devoto de Santa Rita de Cássia.

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No dia 31 de outubro de 2014, morreu seu único filho, Rafael Soares, no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. No dia 3 de novembro, Jô dedicou o programa ao seu filho, em que fez um discurso contando um pouco da história dele.

No dia 4 de agosto de 2016, foi eleito para a Academia Paulista de Letras, assumindo a cadeira 33, que pertenceu ao escritor Francisco Marins.

Livros de Gil DePaula

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